"PORQUE NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO" (Caetano Veloso).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

POEMAS RECÉM-NASCIDOS


A MEDUSA

Paz das coisas tolas e pequenas
Dos cerrados retorcidos e das casas velhas
Carcomidas por lembranças em pó.

Paz das almas fracas e servis,
Dos cordeiros dependurados
E das moscas festejando restos azuis.

Paz das senzalas interiores,
Dos jazigos presenteados ao nascimento.
Dos serenos rios correndo a um só lugar.

Paz dos varais tremulantes,
Dos tanques intermináveis de lençóis quarados,
Dos dedos crus das lavadeiras.

Paz dos hirtos, enfermos e contentes.
Dos átrios sem gente ou pressa.
Do mato crescendo por entre pedras.

Paz dos lagartos sob os troncos,
Dos homens sob cascas
E das almas por detrás de cortinas.

Paz sem serventia.
Paz que não se levanta nem reage.
Paz letárgica e mentirosa.

Em constante guerra se ergue
O meu coração.

Sujo de sangue.

Um comentário:

Neuzza Pinhero disse...

grata pelo apoio ao Mário, Agnaldo.

um abraço fraterno e muita poesia