"PORQUE NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO" (Caetano Veloso).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A LAVRA


[Imagem: The harvest - Camille Pissarro
Vídeo: Sodade - Cesária Évora] 

Capinava o mato da lavoura
Enquanto a erva-daninha
Me tomava.
A erva-cipó de querer
O que não sabia
Alastrada em lugar
Dos vasos sanguíneos.
Cortassem-me, seria capaz
De desfolhar pela ferida.

Entregava o lombo ao sol
Dos eitos plantados
Para que secasse a míngua
Meu horto de inquietações em sementeira.
E ele celebrava
Sua fotossíntese.

Até ceder.
Deixar o matagal tomar de conta,
Estando bastante para infestações.

Ultrapassei a cerca.
Desde então verdejo e contamino.

Longe da roça,
Longe da enxada,
Longe da raiz.

Mas sempre temendo que alguém descubra
Onde estou enraizado
E de um golpe só
Limpe a lavoura de mim.

[Dos: POEMAS RECÉM-NASCIDOS]

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

BORBOLETAS SINTÉTICAS



[Imagem: Le fou de peur - Gustave Courbet
Vídeo: Mariposa Tecknicolor - Fito Paez]

Abri mão de minha voz,
Para não gritar.
E as mãos,
Para que intentassem asas
As borboletas sintéticas
Que inventei.

Se gritasse
Despertaria as pedras, os túmulos,
Chacoalharia a base dos viadutos;
E as barricadas de pneus incendiados
Lacrimejariam sinfonias
De fumaça tóxica,
Adoentando o céu.

Se gritasse agora
Assustaria os cães de guarda
Que recuariam aos porões das casas.
E os aviões mais aprumados para o alto
Tremeriam turbulências minhas.

As ondas de rádio,
Os sinais de satélite,
As preces dos monges tibetanos,
Os ventos sul e norte
Seriam interrompidos
Pelo arco elétrico assoberbado,
Difuso e dolorido.
O meu grunhido.
E as borboletas sintéticas, amputadas.

Abdiquei da fala
Porque já estava corrompida
E lacrei em autocasamatas
A devastação atômica
Que me produz.

Dizer.
Para que serve,
Quando o que cabe na boca é tão estridente
Que nem os ouvidos do emitente é capaz de suportar?
Implodiria os tímpanos.

E as borboletas sintéticas permaneceriam imóveis.

[Dos: POEMAS (QUASE) RECÉM-NASCIDOS]

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

RINHA


[Imagem: Jacob wrestling with the Angel
- Alexander-Louis Leloir
Vídeo: Baioque (Chico Buarque)
- Edson Cordeiro] 

Vem com tudo!
Não baixe sua guarda para mim.
Levante os punhos,
Tire o que quiser dos bolsos;
Os tamancos dos pés,
O bastão do cano da bota,
A ira, de onde estiver,
Acima de sua cota.
E vem com tudo.

Tijolos? Use-os.
Xingamentos, maldições,
Pragas milenares,
Não poupe, não poupe!

Vai ter combustível
Para fazermos um círculo de fogo
Em redor da rinha.
Vai ter cimitarra
Fora da bainha,
Vai ter garra de predadores,
Vai ter plateia atiçando
E froncoatiradores
Nos incentivando.

Vem com força,
Com raiva, energia,
Paixão irracional,
Com todo o seu armamento.
Soco-inglês, garrote, correntes;
Vem rangendo os dentes
Que eu aguento.

E, se vier, venha fervendo,
Sem subterfúgio, fantasia;
Sem adorno.
Que eu não suporto,
Eu não suporto a desalegria
De ser espancado
Por nada que seja morno.


[Dos: POEMAS RECÉM-NASCIDOS]


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

AXIOMAS


[Imagem: One flew over the wasp's nest
- Vladimir Kush
Vídeo: Quelqu'un m'a dit
Carla Bruni ] 
Acredite!
Há mais ternura no assassínio
De uma lebre, por um condor,
Que na fuga.
A fome, madrasta de todas as urgências,
Embeleza o sacrifício.
Só o humano mata sem beleza.

Acredite!
Quem vinga uma dália murcha
Merece redenção.
O que a pranteia
Faz jus a indulgências,
Mas aquele que a permanece enxergando
À imagem do que fora ao desabrochar
Não será salvo.
Multipétalo,
Foi amaldiçoado de êxtase.

Acredite!
Em absoluta desolação as sementes
Cumprem seu dever de matriarcas;
Concebem pela própria matéria
E se permitem consumir
Para que a vida seja.
Uma semente alberga universos
De ramas, flores, frutos e filhos,
Resultados da putrefação.
Trata-se da mais digna finitude.

Acredite!
Por muito que se ande
Igualmente se está distante de algum ponto.
O tempo não tem pressa; no entanto corre.
O ponto não muda; quem o persegue é que sim.
As distâncias não mudam; apenas o esgotamento.
Um andarilho, em seu sem-destino,
Reinventa liberdades.

Acredite!
No livro em cuja capa se lerá teu nome
Estará escrito
Não o que fizeste,
Mas o que te fez,
O que foste capaz de suportar.


[Dos: POEMAS RECÉM-NASCIDOS]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

TOCAIA


[Imagem: Fox - John James Aldubon 
Vídeo: Como la Cigarra - Mercedes Sosa]

Sem resguardo;
Quando me apanhassem
Renderia homenagens à traição.

E muito vulnerável
Que me encontrassem,
Descobririam em mim nenhuma salvação.

Destituído de nobreza,
Do fogo-fátuo das pretensões,
Engatilhariam suas armas
Para o meu sem fim de armações.

E eu riria alto, ofegante,
Riria extenso e tresloucado.
Eu riria como nunca antes,
Como se antes só houvesse chorado.

E correria rumo à barricada
Sem temores existenciais,
Para oferecer-me, ao serem disparadas,
As armas,
Desembainhados
Os punhais.

Desafeto da resistência,
Desarticulado de defesas,
Se me atingissem quiçá eu florisse,
Em gérberas púrpuras, acesas.

E sorriria,
E ruiria,
E correria até me gastar.
Alguém de nós – ou muitos – no fim cessaria.
Eu de sorrir
Ou eles de atirar.

[Dos: POEMAS DE VIAGEM - EM JOINVILLE-SC]



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

VANUSA PARA PUXADORA DE HINO


 [Imagem: Bonaparte Crossing the Alps 
Jacques Louis David]

[A imagem é de mal gosto, o vídeo é de mal gosto. Eu havia jurado que não escreveria novamente sobre política, mas... Enfim, o mal gosto impera.]

A história é a seguinte: o sujeito está com a unha do dedão do pé encravada (pode escolher o pé. Esquerdo ou direto, tanto faz) e resolve embarcar em ônibus abarrotado de gente. O que acontece? Pois é, algumas coisas são inevitáveis, assim como falar de eleição no pós-pleito.

Prometo fazer o possível para correr do óbvio e não ser tendencioso. Prometo!

Começa assim: enfim São Paulo assumiu o que todos os demais Estados já sabiam e não admitiam publicamente. Um palhaço a mais ou a menos faz pouca diferença.

Ironias à parte, a eleição de Francisco Everardo Oliveira Filho foi o acontecimento do fim de semana. Ora, não sabe de quem se trata? Refresco a memória: “Forentina, Forentina, Forentina de Jesus”... Ele mesmo, o “Tiririca”.

O suposto voto de protesto (?) serviu para aumentar a certeza da velha guarda da política nacional acerca do que fazer com a opinião pública. Quem elege “Tiririca” não pode se queixar de ser representado por um palhaço. E se antes já acreditavam nisso, agora...

Mas não riam ainda, queridos cariocas. Antes de fazê-lo lembrem-se do baixinho. É, ele mesmo, “peixe”. Ou será que os gols na campanha do tetra foram suficientes para angariar o perdão eterno para as poucas e boas que arrasta atrás de sua vida pessoal? Mas o cara é craque, fez “p’ra mais de mil gols”. E daí? Se admitirmos que talentos dessa natureza pesem, por que não elegermos a mulher fruta da estação (e olha que uma delas foi candidata)?

Não dá para comparar? Pensem melhor, reflitam e verão que os motivos podem ser diferentes, mas o fiasco é idêntico.

E Brasília? E aquela senhora? Qual é mesmo o nome dela? Ah, é Roriz. Não ganhou, mas foi para o segundo turno. Quer dizer, diplomaram a família. O marido, bom, nem precisa não é! Comentar qualquer coisa é ir de cara no óbvio. E a capital do país dá sua lição de democracia dizendo em alto e bom som “SIM, bate que eu gosto”. Pergunto, se essa criatura semianalfabeta cultural vence as eleições distritais, quem governa? Alguém se arrisca?

E para não ficar marchando exclusivamente sobre a tragédia, temos a honrosa votação da Marina. Atenção, o Acre existe! (E o Acre votou em peso nos outros dois). Mulher com discurso coerente (embora pouco sustentável do ponto de vista das alianças futuras). Fez uma campanha bonita, tranquila e deu uma volta nas intenções de muita gente nessa reta final.

De outro lado, o segundo turno. Para pensar na cama (ou onde quiser):

Os escândalos sucessivos com os quais temos tido contato são novidade ou estão apenas mais visíveis? Em que outro momento de nossa história políticos foram cassados, presos por corrupção e desmandos com a coisa pública? Alguns vão dizer: ah, mas isso aconteceu por intervenção do Ministério Público, por atuação da Justiça etc etc etc. Alôô! E tais poderes, onde estavam nas últimas três décadas? E olha que, se não nos falhe a memória curta, é só procurar um pouquinho, fazer uma tabelinha no excel que é bem possível que a conta de escândalos termine empatada.

Não estou, com isso, querendo dizer que “Dilminha não é comigo” seja melhor que a “versão açucarada do picolé de chuchu” ou vice-versa. Quero apenas trazer a discussão para um patamar de razoabilidade. Existe SIM, um monte de coisa errada, tem sujeira saindo pelo ladrão, tem muita explicação a ser dada, mas, olha, não se espante com o que vou dizer. Isso não é novidade. O que mudou foi a força das alianças, o tamanho do tapete (e a quantidade de lixo que ele suporta esconder). E, claro, a divulgação (graças a Deus).

Agora é escolher e votar. Não existe anjo nem demônio. A farinha pode ter saído de moendas diferentes, mas é farinha. E, por uma coincidência temporal, não estão no mesmo saco, mas é só.

Então, A ou em B. Aperte o verde para confirmar, sabendo de antemão que os precedentes de ambos não os colocam em posição de beatificação. Longe disso.

E, cá entre nós, é fácil dizer que ninguém presta. Anular o voto, se desincumbir ou, pior, votar e passar mais quatro anos reclamando ou criticando.

O exercício pleno da democracia vai além dos 30 segundos de urna eletrônica. Passa pela participação ativa, pelo inconformismo e pela bandeira da “boca no trombone”. Não temos à disposição de nosso voto quem gostaríamos de ter (se é esse o caso), mas não há outro remédio. É o que temos. É escolher entre um e outro e tentar, na medida de nossas possibilidades, fiscalizar, protestar, gritar e tentar contribuir para que as coisas avancem.

Enquanto isso, reflitamos sobre “Tiriricas”, “Peixes”, “mulher sobrenome” e afins. Daqui a quatro anos tem mais... É um bom tempo para pensar.

[Ah, aproveitando que está fácil, proponho a candidatura de Vanusa para puxadora oficial do Hino Nacional]. 

[Das: CRÔNICAS  DO DIA]

domingo, 3 de outubro de 2010

EXPEDIÇÕES MÍTICAS



[Imagem: Ancient of days
- Willian Blake
Vídeo - Viva la vida - Coldplay]

Estive no palácio real dos macedônios;
Havia taças de exóticos licores,
Frutos de todos os mundos
Servidos em bandejas decoradas em âmbar.
Eunucos, odaliscas, cítaras,
Tapetes de pele e lençóis de puro linho
No aposento que me prepararam.
Jazidas ofertadas de safira e de plutônio.
Mas o que me seduzisse
Não havia


No palácio real macedônio.


Na Cidade Proibida e no Kilimanjaro,
Na grande muralha e no Saara,
Na Fossa das Marianas,
No Nilo, no Sena e no Tejo,
No túmulo dos czares.
Mas o que me erigisse
Não havia


Em qualquer desses lugares.


No sultanato de Omã – um sultão,
No Taj Mahal – o marajá,
Em Delfos – o sacerdote de Apolo e o próprio oráculo;
O tomo do conhecimento de Alexandria
E na ilha de Ávalon – o rei, excalibur.
Para o novo mundo – a nau capitânia...
Títulos, posses, honra e poder.
Porém o que me aplacasse
Não havia;


Nada capaz de me conter.


Curvei-me na presença de deidades
O tempo exato de me dissuadirem.
Dobraram em troca seus joelhos
Dizendo preces em meu louvor.
De sua rica ambrosia tive de sobra
Para comer o quanto me fartasse.
Dormi no trono da luxúria e da vaidade
Tendo-as, zelosas, de vinho e de pão.
Mas o descanso cobiçado, esse,
Não havia


Tudo me parecia vão.


Dei às feras as expectativas para que devorassem
Em safaris para os quais servi de caça.
Ceei com bárbaros e sarracenos,
Ao lado de faquires fiz voto e jejum.
Nas ruínas celtas, nos templos pagãos,
Em meio a searas e espinheiros
Vi nascerem dias e noites se dobrarem.
Intercalava dúvidas e anseios febris.
Mais que pudesse me alimentar,
Tanto mais se agigantava a minha fome.
A resposta, areia que jamais seria pérola,
Não havia;


Exilada ao âmago de um abalone.


Motivo que valesse caminhar.
Uma razão,
Um outro que me reconhecesse pelo nome.


[Dos: POEMAS DE VIAGEM - EM BRUSQUE-SC]



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DO QUE CABE NA JANELA


[Imagem - Pessoa na janela - Salvador Dalí
Vídeo -A Thousand Beautiful Things 
- Annie Lennox]

Tudo cabe na janela.
O aveal no qual delira a loucura em disparada,
Soltando espigas.
O trigal onde a beleza a encontra
Para explodirem
Panapanás.

Lisérgicos, cabem na janela
Os garanhões selvagens, libidinosos,
As potras castanhas em cujas crinas
O vento vem assentar
Para fazerem avoar
Seus perfumes de cio.
[E os machos vêm].

O espetáculo sinistro da lua engolindo o sol,
Do sol comendo a terra para ela
Em eclipses de prazer e escuridão.
O falo de luz da estrela hermafrodita
Em si mesma penetrado,
Gozando os primeiros fachos
Na aurora e na vidraça,
Fertilizando-as.
Cabem na janela.

E os automóveis que passam
E toda a gente da ruas e das praças
E as sirenes dos operários das fábricas;
Seus uniformes, suores,
Sua lascívia contida pelas linhas de montagem,
Bem guardada para a noite.
E seus pares, latejantes, que aguardam
Cheirosos, limpos, acolhedores,
Cabem na janela.

Cabe na janela o cão ladrando para tudos e nadas.
O sinal vermelho
A poucos metros de interromper a vida
Somente pelo capricho de vê-la gastar-se
Inutilmente. Depois seguir.
Os moços oferecendo seus volumes,
As cortesãs modernas subindo barras de saias;
E o preço que cobram,
Nunca alto em demasia.

A quietude pondo ovos
No interior da casa.
Os grilos de todos os barulhos externos,
Como se fossem arrulhos,
Pombos inimagináveis.
O neon escarlate
Feito minha brasa que não arrefece
E a neblina que, sutilmente,
Cristaliza o vidro em alvo-úmido,
Cabem na minha janela.

Cabem na janela
O barco a ponte o mar o céu de plúmbeos matizes;
A madeira amontoada da casa que se foi,
O visgo das emoções castiças
Deflorando a perenidade e a tornando adulta.
O espelho asfáltico que a chuva deixa,
Fazendo colares dourados com lâmpadas elétricas,
Cabem na janela.

Só não cabe na janela
A necessidade. A necessidade explosiva
De estilhaçar. De trazer tudo cá,
Para dentro
De mim.

[Dos: POEMAS RECÉM-NASCIDOS]


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CANÇÕES IMÓVEIS


[Imagem: An arab removing a thorn from his foot
- Leon Bonnat] 

Pássaros de porcelana
Recitam odes sacrílegas com seus bicos dourados;
Odes ao silêncio sacrílego-ensolarado.
E o dia desprovido de defeitos
Impera.

Perto daqui um cemitério de máquinas
Com toda espécie de metais
Aguardando o digno sepultamento.
As orquídeas do vaso
Antigas que são, se aquietam
E murcham

Canto para a maquinária desolada
Espíritos inanimados em completo abandono;
Canto para alegrar-lhes a ida,
Embora seja tarde.

Canto para os pássaros de porcelana
Estáticos, invejosos das aves libertas;
Canto para que tentem sacudir as plumas
Inventadas.

Canto para as orquídeas mumificadas
Nobres, apesar de murchas,
Canto para que se despeçam
De seus cachos.

E o dia isento de imperfeições
Parece desconfiar
Que canto sozinho.

Parece ter certeza
De que canto sozinho;
Canções imóveis, valsas
E réquiens.

[Dos: POEMAS RECÉM-NASCIDOS]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

JARDIM SECRETO



[Imagem: O homem ferido - Gustav Courbet
Vídeo : Fogueira - Ângela Ro Ro]

Não deixe doer,
E se fundo doer, respire,
E não deixe florescer nos olhos a tua dor.
E se rubras tulipas tornarem-se os teus olhos, orvalhadas,
Não deixe que ninguém tenha o prazer de ceifar teu campo e colhê-las.

Não permita que vejam,
E se, oculto onde estavas, virem,
Não permita que saibam a razão secreta,
Acaso saibam, pois grande a evidência se tenha tornado,
Não permita tatearem dedos curiosos sobre a dália de tua carne exposta.

Não consinta demonstrar,
E havendo certa a impossibilidade,
Não consinta que desfraldem, públicas,
As flâmulas amargas do que, de íntimo, te rasga, e leva ao chão
O canteiro de margaridas despetaladas dos teus sonhos bem-me-quer.

Não tolere sofrer,
E se aos teus músculos for insuportável,
Não tolere que te vejam sobre joelhos arqueados,
Colhendo crisântemos, amarelos e tristes, num jardim de acetona.
Não tolere que assistam tua alma despetalar-se, teus espinhos serem 
                                                                                         [flor.

[Dos: POEMAS DO ESTOQUE 
Escrito para o Livro: "AGOSTO NEGRO 
- Poemas de cachorro louco"]