[Imagem: The berry picker - Andrew Wyeth
Vídeo: Lonely day - System of Down]
Realizar o mundo em torno do homem que acaba de acordar
É planejar esvaziamentos para o nada.
Um homem, ao acordar, é o universo sendo pensado.
Um homem, ao se curvar, deserda os próprios tendões.
Interpretar o tino do homem curvado sobre a espinha ou os joelhos
Se assemelha a mediar diálogos entre abismos e quasares.
Um homem, ao se curvar, implode os genes de sua descendência.
Um homem, ao cantar, no fim de uma tarde que esteve quente,
Declara-se irremediavelmente perdido; destronado, que seja.
Assiste ruírem delicadamente os pilares do que o faz ordinário.
Um homem, ao cantar, desenha com sons um labirinto.
Um homem, ao saber-se, descobre-se derivado e à deriva.
O ofício de traduzi-lo é tão cartográfico quanto o de ocultá-lo;
Demanda o uso de bússolas raras - as que apontem para dentro.
Um homem, ao saber-se, está prestes a se tornar terrivelmente perigoso.
[Dos: POEMAS RECÉM-NASCIDOS]









